Há os que passam a vida a vitimizarem-se e há os que tentam fazer alguma coisa;
Há os que passam a vida a culpar os outros e há os que não fogem à assunção de responsabilidades;
Há os que passam a vida a invejar e há os que sentem força interior suficiente para ambicionar;
Há os que odeiam e há os que toleram;
Há os que acham que há bons e maus (sendo que os maus nunca são eles) e há aqueles que sabem que entre o branco e o preto há uma infinidade de tons de cinzento;
Há os que acreditam em teorias da conspiração (segundo a qual uns quantos poderosos por detrás do oculto comandam tudo e todos) e há aqueles que se riem da crendice e da hipocrisia;


Há os que pensam que o Estado é como Deus, exterior e transcendente, e ficam à espera de milagres... e os que entretanto cresceram e já sabem que o Estado só pode "dar" uma pequena parte daquilo que retirou (sabem também que "o maior defeito dos milagres é que não nos podemos fiar neles")...
Enfim, duas concepções de vida e de atitudes... os primeiros consideram-se bons, acham-se injustiçados, que são vítimas dos maus e sentem-se impotentes para fazer o que quer que seja... preferem exigir (aos outros), culpar (os outros) ou lamuriar (por causa dos outros); os segundos têm a humildade de acharem que, com esforço, podem melhorar, sentem-se responsáveis pelos seus infortúnios, acreditam que mudar depende muito mais de si próprios que dos outros, pelo que, por maioria de razão, são descrentes no transcendental seja ele milagreiro ou conspirativo.